São João e a memória de quem partiu: especialista explica como o luto se transforma nas tradições familiares

Psicóloga explica como a união familiar é importante no processo de ressignificação do luto
No nordeste, Junho é sinônimo de fogueira acesa, som de sanfona, receitas típicas e, acima de tudo, reencontro familiar. No entanto, para aqueles que perderam alguém querido, os festejos juninos também costumam trazer à tona a ausência dos que costumavam celebrar juntos.
Por coincidência, o Dia Nacional do Luto (19 de junho), é celebrado na mesma semana do Dia de São João (24 de junho). Simône Lira, psicóloga do Grupo Morada, explica que as datas festivas naturalmente funcionam como gatilhos emocionais, mas não devem ser encaradas com culpa ou isolamento.
“O São João após a perda de um ente querido pode se tornar um momento delicado, porque a cobrança social e interna por alegria é muito grande. Mas o luto não é uma doença com cura rápida, é a reacomodação do amor que ficou. Nós não esquecemos quem partiu. Aprendemos a viver em um mundo onde a pessoa não está fisicamente, e as tradições são ferramentas potentes para transformar a dor aguda em uma saudade mansa”, explica a psicóloga.
Simône também aponta que o luto saudável não exige o esquecimento, mas sim a integração da memória no presente. Sob essa perspectiva, as festividades deixam de ser um momento de sofrimento e passam a ser um espaço de celebração do legado. Relembrar as piadas de quem partiu, preparar aquela receita que a pessoa adorava ou manter viva uma tradição que ela começou são formas de manter o vínculo afetivo ativo.
Para aqueles que buscam formas saudáveis de lidar com o luto durante as festividades, a psicóloga explica que o mais importante é não reprimir os sentimentos e se isolar.
“É importante abrir espaço para a saudade, não há problema em chorar, porque validar a tristeza faz parte do processo. Criar rituais de memória, como acender a fogueira lembrando de uma história da pessoa ou fazer um brinde em homenagem a ela, também ajuda a trazer a presença afetiva para o ambiente de forma leve”, destaca Lira.




