Doenças respiratórias disparam no período chuvoso e especialista orienta como “repaginar” a imunidade

Com a chegada das chuvas e a queda nas temperaturas, o Brasil já enfrenta um aumento expressivo nos casos de doenças respiratórias. Dados recentes de monitoramento em saúde apontam que os registros de síndrome respiratória grave causada por influenza cresceram até 94% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, além do avanço nas internações, cenário que já pressiona serviços de urgência em diversas regiões do país.
Na Paraíba, especialmente em João Pessoa, profissionais de saúde já observam reflexos desse cenário, impulsionado pelo clima mais úmido e pela maior circulação de vírus em ambientes fechados, o que tem contribuído para o aumento da demanda nas unidades de saúde.
Diante desse contexto, fortalecer o sistema imunológico deixou de ser apenas um cuidado individual e passou a ser uma estratégia importante de prevenção. A nutricionista Lucilene Saraiva explica que a imunidade está diretamente ligada ao estilo de vida, especialmente à alimentação.
“A base da imunidade está no que a gente consome diariamente. Não é algo pontual, é construção”, afirma.
Segundo a especialista, alguns nutrientes são essenciais para o fortalecimento do sistema imunológico e podem ser facilmente incorporados na rotina alimentar. A vitamina C, por exemplo, está presente em frutas como acerola, laranja, limão, goiaba e caju, bastante comuns na alimentação dos paraibanos. Já a vitamina D pode ser obtida por meio da exposição solar diária e também em alimentos como ovos, peixes — a exemplo da sardinha e do salmão — e leite fortificado. O zinco, por sua vez, é encontrado em carnes, castanhas, sementes e leguminosas, como feijão e lentilha, enquanto o selênio tem como principal fonte a castanha-do-pará, conhecida pelo alto valor nutricional.
De forma indireta, Lucilene Saraiva reforça que uma alimentação baseada em alimentos naturais e minimamente processados contribui diretamente para o bom funcionamento do organismo, enquanto o consumo frequente de produtos ultraprocessados pode comprometer a resposta imunológica e favorecer processos inflamatórios.
Outro ponto de atenção é a hidratação. Mesmo durante o período chuvoso, quando a sensação de sede costuma diminuir, a ingestão de água continua sendo indispensável para manter o organismo funcionando adequadamente.
A nutricionista também destaca o papel da suplementação, que pode ser uma aliada, desde que utilizada com orientação profissional. Segundo ela, o uso de vitaminas e minerais deve ser indicado a partir de avaliação individual e, quando necessário, exames laboratoriais.
“A suplementação não deve ser feita de forma aleatória. Ela entra quando há deficiência ou uma necessidade específica. Suplemento não substitui uma alimentação equilibrada”, alerta.
Além da alimentação, outros fatores também influenciam diretamente na imunidade. Sono de qualidade, prática regular de atividade física e controle do estresse fazem parte do conjunto de hábitos que fortalecem o organismo.
“A imunidade é resultado de um conjunto de fatores. Quando a gente cuida do todo, o corpo responde melhor”, orienta.
Outro ponto que vem sendo cada vez mais estudado pela ciência é a relação entre saúde intestinal e sistema imunológico, ampliando o uso de estratégias como probióticos e abordagens nutricionais mais personalizadas.
Com o aumento dos casos e a maior procura por atendimentos nas unidades de saúde, investir na prevenção se torna ainda mais importante. Além dos cuidados com a alimentação, especialistas recomendam manter a vacinação em dia, higienizar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e pouco ventilados.
Em um cenário de maior circulação de vírus, fortalecer a imunidade pode ser um diferencial importante para reduzir o risco de adoecimento e atravessar o período chuvoso com mais saúde.




