José Ricardo Porto homenageia trajetória da filha Maria Porto

José Ricardo Porto*
Há poucos dias escrevi que a história de Maria começou antes dela.
E começou!
Há uma família, uma memória e uma trajetória de vida pública que atravessam gerações. Há a lembrança de seu avô, Sílvio Porto, e de uma história que o tempo não apagou.
Mas hoje quero falar de outra história.
Hoje quero falar de Maria.
Da menina que cresceu. Da mulher que se tornou mãe. Da advogada que também buscou formação na Medicina.
Da esposa de Matheus. Da mãe de Mariah e Manuela. Da filha que Salete e eu vimos escolher um caminho difícil e segui-lo com uma determinação que, confesso, algumas vezes chegou a me surpreender.

Maria tem uma garra fora do comum.
Há quase dois anos ela caminha. E caminhou muito.
Percorreu estradas, cidades, bairros e comunidades. Apertou mãos, entrou em casas, ouviu histórias, abraçou crianças, conversou com mulheres, jovens e idosos. Houve dias de alegria e dias difíceis. Houve cansaço. Houve obstáculos. Mas Maria continuou.
Essa talvez seja uma das características que melhor a definem: Maria não desiste facilmente daquilo em que acredita.
E fez tudo isso sem deixar de ser mãe.
Mariah e Manuela estiveram presentes nessa caminhada. Matheus esteve ao seu lado. A família permaneceu unida, coesa, acompanhando cada passo.
Até Pelé entrou nessa história — o pequeno vira-lata que Maria recebeu das mãos de um homem do povo, em Casserengue, e que suas filhas imediatamente adotaram e batizaram.
Hoje, Pelé é o xodó da casa.
São pequenos acontecimentos que, muitas vezes, revelam mais sobre uma pessoa do que longos discursos.
Maria abraçou causas que têm muito de sua própria sensibilidade: a proteção dos animais, a participação das mulheres na política e, especialmente, o cuidado com crianças e famílias que enfrentam síndromes e condições que exigem atenção, inclusão e apoio.
Existe nela a força da mulher que decidiu participar.
E existe a juventude.
Essa extraordinária fase da vida em que ainda há muitos sonhos pela frente e energia para persegui-los.
Talvez seja aí que entre o destino.
Sempre achei o destino uma palavra misteriosa. Passamos a vida fazendo escolhas, abrindo caminhos, enfrentando circunstâncias que não escolhemos e encontrando pessoas que mudam nossas rotas. Somente depois percebemos que alguns momentos pareciam estar silenciosamente nos conduzindo a determinado lugar.
Maria chegou a um desses momentos.
Amanhã ela encontrará as urnas.
Depois de quase dois anos andando pela Paraíba, encontrará, através do voto, muitas das pessoas que conheceu pelo caminho.
Será o encontro entre a caminhada e a democracia.
Não sei se o destino está escrito. Prefiro acreditar que ele vai sendo construído — um pouco pelas circunstâncias, muito pelas nossas escolhas e sempre pela coragem de continuar.
E coragem não faltou a Maria.
Como pai, hoje não quero falar de números, pesquisas, projeções ou resultados.
Quero olhar para minha filha.
Quero homenagear sua garra, sua obstinação e sua determinação.
Quero dizer que tenho orgulho da mulher que ela se tornou e da serenidade com que chegou até aqui.
A história de Maria começou antes dela.
Mas chegou o momento em que essa história passou a ser construída por seus próprios passos.
Sílvio Porto escreveu a sua história.
Cada geração escreve a sua.
E Maria está construindo a dela.
Hoje é o dia dela.
Amanhã também será.
Amanhã, diante das urnas, caberá ao povo decidir. E Maria estará ali com sua juventude, seus sonhos, suas causas e a esperança de quem caminhou muito para chegar até esse encontro.
Quanto a mim, nesta véspera, quero ser apenas pai.
Olhar para ela e dizer:
Vá em frente, minha filha.
Você teve coragem.
Você teve garra.
Você perseverou.
E talvez seja esta a mais bonita síntese do destino: chegar ao grande encontro da vida sabendo que fizemos, por inteiro, a nossa caminhada.
Maria, passa na frente.
*Pai de Maria Porto




